Defesa de Lulinha procura André Mendonça e diz que filho de Lula está disposto a prestar depoimento sobre “Farra do INSS”
A investigação conhecida como “Farra do INSS”, que apura suspeitas de irregularidades envolvendo benefícios previdenciários e possíveis articulações de lobistas junto ao governo, ganhou um novo capítulo nos últimos dias. O advogado Marco Aurélio de Carvalho, responsável pela estratégia jurídica de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, procurou o ministro do Supremo Tribunal Federal André Mendonça para comunicar que o filho do presidente está disposto a colaborar com as investigações.
Segundo informações divulgadas pela imprensa, o encontro ocorreu na noite da quarta-feira (11), no gabinete do magistrado em Brasília. Durante a reunião, o advogado reafirmou confiança na condução do caso pelo ministro e informou que Lulinha está disponível para prestar depoimento espontaneamente no inquérito que investiga o suposto esquema envolvendo o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
De acordo com a defesa, a intenção do empresário é esclarecer quaisquer dúvidas sobre seu eventual envolvimento, direto ou indireto, em irregularidades relacionadas ao caso.
Defesa diz que colaboração será voluntária
Em declaração concedida à imprensa, Marco Aurélio de Carvalho afirmou que seu cliente deseja colaborar plenamente com as autoridades para esclarecer os fatos.
“Ele está disposto a prestar depoimento pessoalmente. Pretende fazer uma colaboração espontânea, voluntária e efetiva para esclarecer qualquer dúvida que possa surgir a respeito do seu envolvimento direto ou indireto com qualquer tipo de irregularidade”, afirmou o advogado.
A postura de colaboração, segundo a defesa, busca demonstrar transparência e afastar qualquer suspeita de tentativa de obstrução das investigações.
O inquérito em questão é relatado por André Mendonça no Supremo Tribunal Federal e apura possíveis irregularidades envolvendo concessões de benefícios previdenciários, além da atuação de intermediários que teriam se beneficiado de relações com agentes públicos.
Viagem a Portugal com lobista veio à tona
A estratégia da defesa ocorre após revelações envolvendo uma viagem realizada por Lulinha ao exterior. Em entrevista concedida recentemente à emissora GloboNews, o advogado admitiu que o filho do presidente esteve em Portugal em 2024 acompanhado do lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”.
O episódio havia sido revelado anteriormente em reportagem publicada no final de 2025. Na ocasião, veio à tona que os dois teriam viajado juntos para cidades europeias como Madri, na Espanha, e Lisboa, em Portugal.
Investigações apontaram que ambos estiveram nas mesmas cidades e nas mesmas datas em pelo menos três ocasiões, o que despertou a atenção das autoridades responsáveis pela apuração do caso.
Até então, a defesa de Lulinha não havia confirmado publicamente a viagem nem detalhado a relação do empresário com o lobista. A entrevista à GloboNews marcou a primeira vez em que o advogado reconheceu oficialmente o deslocamento internacional.
Quem é o “Careca do INSS”
Antônio Carlos Camilo Antunes, apelidado de “Careca do INSS”, tornou-se uma figura central nas investigações sobre o suposto esquema envolvendo o instituto previdenciário.
Ele é apontado por investigadores como um possível articulador de interesses ligados a benefícios previdenciários e teria mantido contato com empresários, intermediários e operadores políticos.
Embora ainda não haja condenações relacionadas ao caso, seu nome aparece em diversas linhas de apuração conduzidas por órgãos de investigação, o que levou parlamentares e autoridades a intensificarem pedidos de esclarecimentos.
A relação dele com Lulinha passou a ser observada com mais atenção após a descoberta das viagens em comum para cidades europeias.
Investigação segue em andamento
O inquérito que ficou conhecido como “Farra do INSS” continua em fase de coleta de provas e depoimentos. A investigação busca identificar se houve irregularidades em processos relacionados à concessão de benefícios, além de possíveis práticas de lobby ou tráfico de influência.
Autoridades também analisam registros de viagens, conversas telefônicas e outros documentos que possam esclarecer a extensão das relações entre empresários, lobistas e eventuais agentes públicos.
Até o momento, Lulinha não é formalmente acusado de nenhum crime. Entretanto, a presença de seu nome em relatórios preliminares levou a defesa a adotar uma postura proativa, oferecendo colaboração às autoridades.
Estratégia busca evitar medidas cautelares
Analistas jurídicos apontam que a decisão de colocar o empresário à disposição para prestar depoimento pode ter como objetivo evitar medidas mais duras por parte da Justiça.
Entre as possíveis decisões que poderiam ser adotadas em investigações desse tipo estão restrições de viagem, quebras de sigilo ou outras medidas cautelares determinadas pelo relator do caso.
Ao demonstrar disposição para colaborar, a defesa tenta construir uma narrativa de transparência e boa-fé, buscando reduzir a possibilidade de decisões judiciais que possam restringir a liberdade de seu cliente.
Nos bastidores de Brasília, interlocutores afirmam que essa estratégia é comum em investigações de grande repercussão política, especialmente quando pessoas ligadas a autoridades públicas aparecem em apurações preliminares.
Repercussão política
O caso também tem repercutido no meio político. O fato de o investigado ser filho do presidente da República naturalmente atrai atenção de parlamentares e de diferentes grupos políticos.
Aliados do governo defendem que as investigações sigam seu curso normal e afirmam que qualquer pessoa citada em apurações deve ter direito à ampla defesa.
Já setores da oposição cobram esclarecimentos mais detalhados sobre a relação entre Lulinha e o lobista investigado.
Alguns parlamentares chegaram a mencionar a possibilidade de ampliar o debate sobre o tema em comissões do Congresso, especialmente se novas informações surgirem ao longo das investigações.
Viagens internacionais na mira da investigação
Um dos pontos que mais chamou a atenção dos investigadores foi a coincidência de datas entre as viagens de Lulinha e do “Careca do INSS”.
Relatórios preliminares indicam que ambos estiveram em Madri e Lisboa em pelo menos três ocasiões coincidentes, o que levanta questionamentos sobre a natureza dessas viagens e eventuais encontros realizados no exterior.
Autoridades buscam agora entender se esses deslocamentos tiveram caráter exclusivamente pessoal ou se estariam ligados a reuniões de interesse comercial ou político.
A defesa de Lulinha, por sua vez, sustenta que não há qualquer irregularidade nas viagens e que todas as informações necessárias serão apresentadas às autoridades caso o empresário seja formalmente chamado a depor.
Expectativa sobre próximos passos
Nos próximos meses, o andamento do inquérito poderá trazer novos desdobramentos. A eventual convocação de Lulinha para depor dependerá da avaliação do relator do caso e das evidências reunidas até o momento.
Se o depoimento ocorrer, ele poderá ajudar a esclarecer as circunstâncias das viagens ao exterior e a natureza da relação entre o empresário e o lobista investigado.
Enquanto isso, a defesa mantém a estratégia de demonstrar disposição para cooperar com as autoridades.
O advogado Marco Aurélio de Carvalho tem reiterado que seu cliente não tem nada a esconder e que pretende esclarecer qualquer dúvida que venha a surgir ao longo da investigação.
Caso segue sob atenção nacional
Por envolver o filho do presidente da República e um suposto esquema relacionado ao sistema previdenciário brasileiro, o caso tem despertado grande interesse público.
Especialistas em direito e ciência política avaliam que a forma como a investigação será conduzida poderá ter impacto não apenas no campo jurídico, mas também no cenário político nacional.
Independentemente dos desdobramentos, o episódio reforça a importância da transparência e da investigação rigorosa em casos que envolvem possíveis irregularidades em instituições públicas.
Com a disposição declarada de Lulinha para prestar esclarecimentos, a expectativa agora recai sobre os próximos passos do Supremo Tribunal Federal e das autoridades responsáveis pela apuração da chamada “Farra do INSS”.